25/04/2009

-VOCÁBULO DE VIDA-




O Vocábulo, agarrando me pelo braço, fez se ouvir: que como estrutura gráfica ou fónica da palavra, merecia mais respeito, porque punham em causa a sua liberdade, inclusive a dignidade existencial… sentia se insultado.
Mas… o que se passa? Perguntei ainda surpreendido com a abordagem.
Reparasse eu, que ele não lhe falava dos sacrifícios físicos de suportar os fétidos hálitos das bocas humanas, quando pronunciado, não, a isso já ele criara um hábito defesa, até porque, reconhecia, os humanos esforçavam se no disfarce: dentífricos, pastilhas elásticas, tabletes orais e quejandos.
A questão agravara se, ao nível do seu íntimo conteúdo, na maneira de ser usado até as suas prioridades de estar antes ou depois de, se tornaram vexatóriamente irrelevantes. Já lhe custara a engolir, quando a Academia o apelidara arbitrariamente de Polinimia, suportara bem a traição do Monossilábico, a fuga do Polissilábico e o jogo dúbio do Dissilábico que aliado ao Trissilábico conjuravam revoltas.
Fora um choque Metaplasmico, continuava ele, que a Assembleia do Povo, decretasse agora certas alterações na sua estrutura ( arbitrariamente outra vez) para o fazer sofrer. Assim passava eu, a sofrer alterações por adição, por supressão, por transposição e por contracção; assim era demais, a gota a transbordar.
Vou me retirar... Vocabularei noutras paragens... Desisto...
Vocês humanos são o mais irresolvido dos problemas!
Boquiaberto fiquei…

10/04/2009

Uma Lenda



uma lenda, rendilhada nos mais cristalinos pontos,
em sedas mãos,
nós sombras.
as palavras assustam demasiado para
serem usadas na sua torrente natural.
Surges ,
com passos de menina, os sonhos arrumados, guiando me
nos corredores finitos. recolho me como um poente
no bater do teu peito,
desfolho a chuva , para ti, sombra triunfal e sublime.
um dia as sombras,
nas asas do mais róseo flamingo,
tocaram se , e foram,
numa via inseparável, infinita,
uma só sombra.

04/04/2009

UMA TEORIA DA ESTUPIDEZ

Mi gue'l
As Origens da Estupidez

A estupidez é praticada na nossa sociedade contemporânea e a sua origem perde-se nos meandros do principio do desconhecido . As manifestações estupidológicas invadem-nos quando nos expomos à observação da televisão, dos jornais e revistas, da rádio, ou num simples passeio pelas ruas da cidade.
O desenvolvimento dos grandes meios de transporte e comunicações contribuíram eficazmente para a sua extraordinária difusão e cristalização.
Fingir que o claramente óbvio é, de facto, inescapavelmente obscuro é a quinta essência da estupidez.
Seja quais forem as suas ideias ( as do leitor) sobre a origem da moral e ética da estupidez, há que fixar a imagem cartonizada ( imperativo categórico Kantiano ) do nosso antepassado de Neanderthal: a moca numa mão e a amada esposa a ser puxada pelos cabelos.
Reconheça-se aqui, que a estupidez praticada pelos nossos antepassados era ainda incipiente, longe portanto do refinamento, atingido na nossa época. O estreitamento mental já utilizado permitia-lhes lutar selvaticamente pelos seus interesses imediatos com apreciável eficácia: alguns crânios com machados embutidos, achados nas escavações arqueológicas , são prova irrefutável.
Apesar dos ataques e conspirações dos inteligentes, o facto é que os estúpidos conseguiram sobreviver e impor as suas ideias, o que por sua vez se constituía como exercício prático para aprimorar e refinar a estupidez.
Basicamente, o ser humano “primitivo” mostrou-nos o caminho para o refinamento estupidológico moderno, mas também o da felicidade estúpida. A sua obtusa mente, tornou-o capaz de conservar um horizonte intelectual curtíssimo evitando problemas compridos e combatendo os focos de inteligência.

A Guerra longe
No País tal ( longe de nós) um bando de tresloucados irrompe na cidade Ypslon e pôs tudo a ferro e fogo.
O Preconceito ajudado pelas críticas violentas , que fazemos, é óptimo para evitar-nos a penosa sensação da solidariedade com alguma “coisa” cuja proximidade não nos convém. Sobre as vítimas , pensamos e porque são diferentes de nós – devem ter alguma culpa - . Recusamo-nos a pensar em termos de Humanidade.

No nosso bairro
No bairro da nossa cidade um meliante assaltou um senhor que ia a passar e roubou-lhe a carteira.
Desta vez ficamos preocupados. Isto passa-se a alguns metros de nós. Cancelamos o passeio nocturno que pretendíamos fazer e lamentamos amargamente.
Perguntamo-nos, mas que faz a polícia? Todavia, receosos de que uma indesejável abertura mental ocorra, recorremos à técnica da amnésia estúpida: esquecemos o caso e mudamos de assunto.

Percepção estúpida do conteúdo
É mais passiva que a formal, tem a vantagem de nos impedir o acesso à inteligência, e evita que prestemos inadvertidamente atenção a tudo que não rasteje ao nosso nível. Uma das portentosas características da estupidez é a ambição de não saber. A percepção estúpida das coisas, tem como finalidade, afastar-nos do contacto com a Realidade, de contrário iluminaria a mente sem dó nem piedade.

A Realidade fora do que pensamos
Os mais variados pensadores ( filósofos, teólogos, da ciência) acreditam na existência de uma Realidade fora do que pensamos ou sintamos em relação a ela; outros afirmam que só o conhecimento da Realidade onde estamos inseridos nos dará liberdade.
Tais ineptos que pretendem demonstrar que o conhecimento nos leva à liberdade, é óbvio que não conhecem a soberana liberdade dos completamente estúpidos, nem a doçura de obedecer livremente aos espontâneos férreos impulsos e desejos.

A síntese subtractiva

Trata-se da arte de compartimentar preconceituosamente , conhecida também por a síntese estúpida , por ser subtractiva, subtrai à observação e à priori , ou desde logo, tudo o que for relevante ou que possa vir a sê-lo. Claro que isto, exige muito menos esforço para definir a classe a que pertence cada objecto apresentado com pormenores irrelevantes para a inteligência, mas profundamente significativas para os estúpidos.
O uso da compartimentação é muito frutuoso.

A sistematização
Com uma extraordinária riqueza de meios empregues o número de estúpidos activos é grande. A variedade de formas que a estupidez mostra, o requinte e a complexidade que consegue, torna-a fascinante e inesgotável. Floresce de inspiração a estreiteza mental, proporcionando crescimento demográfico seguro e estável.
A Asserção Estúpida em Geral é a ferramenta ideal para a sistematização do estreitamento mental. A Asserção Estúpida em Geral tem como ponto de contacto com o todo, o comum de todas as coisas: uma dupla característica, o dualismo.
Qualquer frase cujo conteúdo ou modo de expressão prime por expressar a estupidez do seu autor e, por outro, contribuir para estreitar a mente de quem as leve a sério.
Como complemento e para uma sistematização mais profunda, teremos que falar da Estupidez Implícita, de aspecto mais subterrâneo, daí a sua profundidade, que exerce a sua acção e influência no entupimento da inteligência sem que o observador externo se aperceba disso directamente. Engloba todos os casos em que a estupidez não se revela francamente mas está implícita, quase invisível. A grande estupidez brotará na sua plenitude como resultado dum longo e ruminado processo na profundeza íntima da psique.

Dois Exemplos da Grande Estupidez
1--A 1ª Guerra Mundial, com milhões de mortos, é um ícone da gloriosa caminhada da estupidez: foi feita para acabar com todas as guerras. ( 1914)

2--A comercialização das vidas dos seres humanos e com esforço centralizador numa raça ( a Negra ) é uma das nossas mais extraordinárias demonstrações da força da Grande Estupidez.( Período Esclavagista)