02/07/2016

ÁRVORE CURA TUDO - NEEM

Árvore cura tudo
Azadirachta indica
amargosa, nim, neem


Azadirachta indica
Azadirachta indica
A. Juss.

Azadirachta indica A. Juss., conhecida pelos nomes comuns de amargosa e nim (do hindi: नीम, nīm, também grafado como neem, segundo a transliteração inglesa), é uma árvore da família Meliaceae, com distribuição natural no sul da Ásia e utilizada na produção de madeira e para fins medicinais.

Descrição

É uma das três espécies do gênero Azadirachta, juntamente com Azadirachta siamensis Val. e Azadirachta excelsa (Jack) Jacobs (também chamada Azadirachta integrifoliola Merr. ), nativa da Índia e da Birmânia.
Pertence à família do mogno e do cedro. São árvores de grande porte, podendo atingir até 30m de altura e 2,5m de diâmetro. Nativa de todo o subcontinente indiano, é resistente a seca. Além de fornecer madeira, é muito conhecida por suas propriedades medicinais e terapêuticas encontradas nas sementes, nas folhas e na casca.

As folhas são verdes escuras, e possuem um aroma característico, fazem parte de inflorescências, com cerca de 25 cm de comprimento. As folhas normalmente aglomeram-se nos extremos dos ramos e têm coloração verde intensa. O fruto é uma baga ovalada de cor verde-clara, depois torna-se amarelo com polpa macia e amarga quando maduro. A semente possui casca fina, no entanto, bastante rígida. Mas a maior utilização do nim, sem dúvida alguma, é na fabricação dos chás.



ECOLOGIA
Poluição, extinção de animais, esgotamento dos recursos naturais, catástrofes climáticas e efeito estufa são alguns dos problemas que a humanidade vem enfrentando por conta de sua irresponsabilidade perante o meio ambiente. Com isso, a busca por recursos naturais que sejam renováveis e menos impactantes tem sido uma prática incessante. Uma das mais surpreendentes descobertas é uma árvore que tem potencial para amenizar danos ambientais e sanitários em âmbito global: o neem, que pode ser usado de várias maneiras em diferentes tipos de produtos.
O neem tem capacidade para suportar condições extremas de calor e poluição da água, melhora a fertilidade do solo e reabilita terras degradadas. Além disso, essa árvore desempenha um papel importante no controle da erosão do solo, na salinização e prevenção contra os efeitos de inundações. A árvore de neem é um dos mais poderosos desintoxicantes, antibacterianos e inseticidas naturais que existem.
Com relação às teorias que falam da toxicidade desta árvore, não se pode afirmar que estas sejam totalmente certas. Inclusive o neem está avaliado pelas autoridades da Índia para o seu uso em preparados medicinais.

A IMPORTÂNCIA MEDICINAL DO NEEM

Advertência
  
Todos os tipos de chá tomados podem ser perigosos, chegando ao ponto de fazerem mal. Principalmente, quando tomados em excesso.
Você deve levar em conta que também se comercializa em comprimidos ou pode se obter o óleo de extrato das sementes. Neste último caso, o uso do óleo é unicamente externo, ideal para alguns problemas da pele.
As pesquisas já realizadas são ainda insuficientes para avaliar os benefícios da planta.Em adultos, o uso do nim durante períodos curtos é seguro, mas o uso a longo prazo pode ser prejudicial aos rins ou ao fígado. Para crianças pequenas, o óleo de nim é tóxico e pode levar à morte. O nim também pode causar aborto, infertilidade e baixo nível de açúcar no sangue.

Propriedades medicinais

Antibacteriano, anti-helmíntico, antiemético, antifúngico, anti-inflamatório, antisséptico, antivirótico, hipoglicêmico, imunoestimulante, espermicida e vermífugo.

Sobre algumas propriedades no nim mais especificamente
Propriedades fungicidas:
O Neem provou ser eficaz contra certos fungos que infectam o corpo humano. Tais fungos são um problema crescente e difíceis de serem controlados por fungicidas sintéticos.
São exemplos de alguns fungos combatidos pelo Neem:
Trichophyto: um “athlete’s foot” (pé de atleta) que infecta tanto a pele qto as unhas.
Epidermophyton: uma micose que infecta o cabelo, a pele e as unhas.
Trichosporon: um fungo do canal intestinal.
Microsporum: um fungo espumante que causa infecção nos brônquios, pulmões e membranas da mucosa.

Cândida: um fungo que é parte da mucosa normal da flora, mas que pode ficar fora de controle e provocar lesões na boca, na vagina, na pele, nas mãos e nos pulmões.



PROPRIEDADES ANTI-BACTERIANAS:
O óleo de Neem tem eliminado várias espécies de bactérias patogênicas, incluindo:
Staphylococcus aureus, que é uma fonte de comum de intoxicação alimentar e causadora de desarranjos.
Salmonella typhosa, esta bacteria muito temida que vive na comida e na água causa o tifo, envenenamento alimentar, e uma variedade de infecções que incluem envenenamento sanguíneo e inflamação intestinal.
PROPRIEDADES ANTI-VIRÓTICAS:
A atividade anti-virótica do Neem tem alta eficácia, paricularmente contra doenças caracterizadas  por erupções. Varíola, catapora e verruga tem sido tradicionalmente tratados com pasta de Neem, esfregando-se a mesma na área afetada. O Neem é um preventivo muito eficiente contra o vírus, mas não é a cura.
PROPRIEDADES INSETICIDAS DEMATOLÓGICAS:
O Neem é um remédio comum e popular contra piolho e verme. No Haiti, por exemplo, as folhas do Neem são esmagadas e esfregadas nos ferimentos infectados por vermes, e na Índia e Bangladesh, moradores de vilas aplicam o Neem no cabelo para matar piolhos, fato observado com grande sucesso.
O NEEM NO TRATAMENTO DENTÁRIO:
Tanto na Índia como na África milhões de pessoas usam pequenos galhos de Neem como “escovas de dente” todos os dias. Dentistas aprovam esta prática primitiva  por acharem que realmente previne doenças periodônticas. Não está claro se o benefício é devido à massagens regulares da gengiva, se por previnir a formação de placas, se pelas propriedades anti-sépticas do Neem, ou se pelas três hipóteses juntas. Companhias alemãs usam o Neem como um ingrediente ativo em pastas dental. O Neem se mostra muito eficaz na prevenção e cura de inflamações na gengiva e nas doenças periodônticas
O NEEM COMO PREVENTIVO DA DOENÇA DE CHAGAS:
O parasita Trypanosoma Crusi causa esta grave doença. Ele vive e se reproduz dentro das células nervosas e das células musculares, particularmente nas do coração, sugando toda a energia de suas vítimas.
extratos do Neem atuam sobre o mosquito que transmite a temida doença de Chagas. Os extratos não matam os insetos, ao invés, eles os imunizam contra parasitas que vivem dentro dos insetos por um ciclo de suas vidas. Uma pesquisa foi realizada e mostrou que alimentando-se os mosquitos transmissores com o Neem, não só os libertam do parasita, como também o Azadirachta impede o jovem inseto de mudar de pele e os adultos de se reproduzirem.
O NEEM COMO PREVENTIVO DE MALÁRIA:
Profissionais indianos do sistema  de medicina de Ayurveda, tem preparado doses orais do Neem e administrado em pacientes portadores de malária a séculos. A atividade anti-malárica do Neem está relatada nos livros de Ayurveda. Chás das folhas do Neem, são usados para tratar malária. Certos extratos das folhas e das sementes do Neem, já provaram sua eficiência contra o parasita da malária. O Nee reage muito bem como quinimo nas culturas de células afetadas pela malária.
O NEEM COMO ANALGÉSICO E ANTI-TÉRMICO:
O Neem é também muito eficaz como analgésico, antitérmico e anti-inflamatório, é um produto de baixo custo. O Neem é usado para estes propósitos onde quer que seja cultivado.
OUTRAS PROPRIEDADES MEDICINAIS:
Extratos de água das folhas e do óleo do Neem provaram reduzir significativamente o açucar no sangue e impedir que a adrenalina produza hiperglicemia em animais de laboratório.
O Neem demonstrou uma propriedade significativa de infertilidade em ratos machos sem interferir com os espermas atogenesis.
Extratos alcóolicos das folhas provaram curar doenças cutâneas como o eczema, impigem, etc.
Nimbidim, um componente, um amargo extraído do óleo do Neem provou possuir uma atividade analgésica e antipirética eficaz no tratamento de sarna e úlcera gastroduodenal crônica.
Nimbatikta, um elemento completamente amargo do Azadirachta indica também provou curar úlceras crônicas com eficácia.
O uso do óleo do Neem intravaginal provou ser eficaz na prevenção da gravidez.
A ficha do Nim
O Nim, Azadirachta indica A Juss, é da família das meliaceas. Recebe nomes diversos como Magousier, Lilás da Índia, Aziradac, Azadira, Margosa, Marrango ou Canye. O nome mais difundido, porém, é Nim ou Neem. Ele não deve ser confundido com seu primo, o cinamomo (Melia Azedarach L.), que também tem lá seus poderes inseticidas e medicinais e está difundido no país como ornamental.
A árvore Nim tem as seguintes características:
Chuvas - Sobrevive em regiões com pluviosidade até 150 mm/ano. O ideal varia entre 400 e 1200 mm
Temperatura - Suporta de 40 a 400 C. O ideal está entre 200C e 270 C.
Solo - Suporta solos salinos e com pouca matéria orgânica. Não su-porta alagadiços.
Altura - De 7 até 20 metros
Produção - inicia com 4/5 anos. Com 10 anos produz 30/50kg de frutas.
Propagação - Por semeadura, estacas e enxerto.
Pragas - As formigas cortadeiras atacam o Nim.
Princípio ativo - Foram descobertas 25 diferentes ingredientes ativos; pelo menos oito afetam os insetos. O principal é o triterpenoide azadiractina.
Persistência - O Nim pulverizado permanece no meio ambiente de três a cinco dias em média.

Modo de preparo
As folhas ou sementes secas, devem ser amassadas/trituradas e deixadas dentro d'água por 24 horas. Depois é só misturar este concentrado à água na proporção de dois a dez litros de extrato de Nim para 100 litros de água. Filtrar e colocar no pulverizador. Aplicar, preferivelmente, à tardinha. Como não é tóxico ao ser humano, não há necessidade de utilizar equipamento especial.

Mais informações:
Belmiro Pereira - (62) 833-2170/2119 fax: (62)833 2100 - e-mail:
nevesbp@cnpaf.embrapa.gov.br
Helcio Abreu Junior - (19) 212-0906 (Campinas-SP) - e-mail: hverde@correionet.com.br
Manoel Vieira - (17) 227 4912 (S.José do Rio Preto -SP) - e-mail: mvieira@westnet.com.br
Minor Takatsuka - (062) 203 3481 (Goiânia-GO

Notas

1.     Ir para cima Em algumas fontes, Azadirachta siamensis Val. é referida como uma variedade de Azadirachta indica. Ver, por exemplo, Limonoids and flavonoids from the flowers of Azadirachta indica var. siamensis, and their melanogenesis-inhibitory and cytotoxic activities. por Kitdamrongtham W, Ishii K, Ebina K, Zhang J, Ukiya M, Koike K, Akazawa H, Manosroi A, Manosroi J, Akihisa T.. Chem Biodivers. Janeiro de 2014; 11(1):73-84. doi: 10.1002/cbdv.201300266.

Referências

1.     Ir para cima A More Efficient Transplanting System for Thai Neem (Azadirachta siamensis Val.) by Reducing Relative Humidity. Por Suriyan Cha-um, Kriengkrai Mosaleeyanon, Kanyaratt Supaibulwatanab e Chalermpol Kirdmanee
2.     Ir para cima The Plant List. Angiosperms. Meliaceae. Azadirachta. Azadirachta excelsa (Jack) Jacobs
3.     Ir para cima Components of the essential oils of Azadirachta indica A. Juss, Azadirachta siamensis Velton, and Azadirachta excelsa (Jack) Jacobs and their comparison. Por Kohsuke Kurose, Mitsuyoshi Yatagai. Journal of Wood Science, abril de 2005, volume 51, n° 2, pp 185-188.
4.     Ir para: a b Anna Horsbrugh Porter (17 April 2006). "Neem: India's tree of life". BBC News.  Erro de citação: Invalid tag; name "bbc.co.uk" defined multiple times with different content
6.     Ir para cima S. Zillur Rahman and M. Shamim Jairajpuri. Neem in Unani Medicine. Neem Research and Development Society of Pesticide Science, India, New Delhi, February 1993, p. 208-219. Edited by N.S. Randhawa and B.S. Parmar. 2nd revised edition (chapter 21), 1996
7.     Ir para cima "Neem". Tamilnadu.com. 6 December 2012. 
8.     Ir para: a b c Neem, WebMD.
9.     Ir para cima FABRICANTE, J.R. & FILHO, J.A.D.S.. Plantas Exóticas e Exóticas Invasoras da Caatinga'. Florianópolis:Bookess, 2013. 978-85-8045-559-5.
10.   Ir para cima Ambientalistas alertam contra cultivo do nim. Diário do Nordeste, 29 de março de 2013.

11.   Ir para cima "Toxicidade do nim (Azadirachta indica A. Juss.: Meliaceae) para Apis mellifera e sua importância apícola na caatinga e mata litorânea cearense

14/01/2014

EM CONSTRUÇAO





Mangueira que treme de melodia

semba ou kuduro?

O chão ama corporalmente a manga, caída.

 
O pequeno riacho serpenteia

as lavras de suor e escassez

desconseguir a pantomina da cobra

entre as pernas do mais velho

adormecido no calor infernal

martirizado e vivo.

 
Que frescura indecisa

fica no meu sorriso, ao ver

a criança onde existe o meu sangue.

 
Beijar a terra sagrada

rasgando a minha face

para que possa colher o fruto

entre a piteira, o chão acre e puro

nas hortas, os cantares,ouvem-se

tenaz ,persistente, este povo

rasga  as impossíveis incertezas.

 
Se morrer, será por exemplo

do nada eterno.

13/12/2013

A DETEÇÃO DE NECESSIDADE DE FORMAÇÃO (DNF)-2





SABER NÃO OCUPA LUGAR (2)


Podemos considerar três tipos de DNF, sendo que as possibilidades de articulação entre eles viabiliza o enquadramento de todas as situações reais possíveis:

O tipo “egoísta”: -Corresponde ao modelo de total independência…

A organização fornecedora respeita apenas os seus interesses ( daí o termo egoísta), colocando no mercado a proposta de cursos/ações de formação que lhe convém ( isto é, que considera possibilitarem para si a melhor relação custo/benefício), impondo todas as condições de realização, ficando, mais ou menos passivamente, à espera das inscrições dos possíveis candidatos.

O tipo “altruísta”: -Corresponde ao modelo de total dependência…

Aqui é o inverso que se passa. A organização fornecedora encontra-se completamente imersa na organização que solicita a formação e ainda na sua dependência hierárquica. Não há aqui muito espaço para a inovação e para a criatividade, propiciando-se, ao invés, a subserviência e o seguidismo.

 
O tipo “personalizado”: -Corresponde aos modelos de total independência, mas em complemento da actividade de consultadoria, formador free lancer e dependência/independência relativas…
 
No caso do formador free lancer, tal só é verdadeiro se o formador não abusar do seu estatuto/imagem para impor soluções que, pelo simples facto de serem inpostas, serão logo deontologicamente criticáveis.

Caso tal não se verifique, estaremos então, como nos outros dois modelos referidos, perante formas de DNF perfeitamente individualizadas, impossíveis de repetir ou exportar para outras situações para além do caso específico que a justificou.

Podemos avançar na construção do nosso sistema de formação, acrescentando-lhe o passo seguinte:

 
SISTEMA DE FORMAÇÃO

ORGANIZAÇÃO QUE SOLICITA    >    PROBLEMA OBJECTIVO                    >   SOLICITAÇÃO/ENCOMENDA
 
ORGANIZAÇÃO QUE FORNECE   >    DETEÇÃO NECESSIDADES FORMAÇÃO   > RESPOSTA  FORMATIVA

 

L. Ferrão,M. Rodrigues,Formação Pedagógica de Formadores,2000

A DETEÇÃO DE NECESSIDADE DE FORMAÇÃO (DNF)


SABER NÃO OCUPA LUGAR (1)

O QUE É?

No seguimento do levantamento das carências detectadas ao nível da organização que solicita a formação (qualificação dos seus colaboradores, novas situações de trabalho, introdução de novas tecnologias, requalificações funcionais, etc.), compete à organização fornecedora operacionalizar a resposta formativa adequada. É a este encontro de problemáticas (organizacionais e de formação) que aqui denominaremos de deteção de necessidades de formação.

Sendo o procedimento técnico que inicia o ciclo de formação, marca a entrada em cena dos gestores da formação.

Neste levantamento interferem quatro tipos de interesses organizacionais complementares entre si, mas muitas vezes contraditórios:

O interesse organizacional global – nível estratégico;
O interesse dos sectores intermédios da organização – nível táctico;
O interesse dos serviços de primeira linha – nível pragmático;
O interesse dos funcionários individualmente considerados – nível pessoal;

 

A hierarquização aqui traduzida não é arbitrária, isto é, o primeiro interesse deve sempre sobrepor-se ao segundo, o primeiro e o segundo ao terceiro e estes três ao último.

Só assim será possível garantir que a formação seja, cada vez mais, encarada como investimento produtivo que é , ao invés de custo organizacional como ainda se pretende fazer crer.

COMO SE FAZ?

A deteção de necessidades de formação comporta, normalmente, o recurso à seguinte informação que, depois de devidamente tratada, possibilita/facilita a composição de uma imagem clara do futuro formativo a desenvolver.

• Balanço dos resultados do(s) ano(s) anteriores;

• Diretrizes emanadas dos órgãos de direção e de gestão estratégica;

Análise da situação envolvente e da sua evolução no futuro próximo;

Entrevistas e/ou Questionários adequados a cada um dos níveis considerados;

Este processo será logicamente diverso, conforme os modelos de articulação entre as organizações que solicitam e que fornecem a formação atrás descritos.

 
L.Ferrão,M.Rodrigues,Formação Pedagógica de Formadores,2000

04/12/2013

O IMPÉRIO DA LINGUAGEM



A linguagem atira-nos para o ascético,
 administrativamente dominados
seduzidos pelos mass midia, impõe-se a ciência,
pela verdade da palavra
embebedados/drogados pelos códigos.
 

E os outros mundos?
O extralinguístico?
A fala da natureza?
O indizível?


A linguagem não é origem o Existente, antecede-a
falar é uma redução da vida na dimensão da Existência
silêncio aperfeiçoador.


O meu modo de ser, opõe-se ao espírito que quer clareza
noção de plenitude, vencendo a linguagem, não a interior
falo da não-linguagem.


Será que a linguagem tem Razão?
Haverá um abrigo fora dessa Razão?


23/11/2013

MWÊNE ÑJÎNGA RAINHA DE ANGOLA

 
 
“Ñjînga. Rainha de Angola” e a cooperação com Portugal
Patrício Batsîkama

Foi lançado, há algum tempo, o produto fílmico “Ñjînga. Rainha de Angola” que estreou no Centro das Convenções de Belas. Meses antes, tive a honra de participar nos ...aconselhamentos antes da filmagem, pelo menos no âmbito da observância histórica, numa conferência que se passou no Centro de Convenções de Talatona.
Enquanto produto artístico. De modo geral o filme tem alguma qualidade artística, parece cumprir objectivos socializadores (e não estéticos apenas) e alcança dois propósitos: (i) reconstruir artisticamente uma nova mwêne Ñjîng’a Mbândi; (ii) disponibilizar esteticamente o mundo mbûndu/angolano dos século XVI (com os mesmos problemas de hoje mas com contextos diferentes ou semelhantes.
Enquanto reprodução ou instrumento reprodutivo da História. No geral, a cobertura histórica é interessante; vários aspectos ilustram a cosmogonia mbûndu no passado; em particular, a observância das diacronias históricas é relativa (e algumas omissões resultariam de pouco conhecimento sobre esta nobre figura de mwêne Ñjînga.
Relação entre Angola e Portugal nos dias de hoje. Mwêne Ñjîng’a Mbândi defende dois pontos: (i) libertação das terras dos seus antepassados, e a aplicação das leis dos seus antepassados e expulsar toda imposição externa; (ii) cooperação a título de igualdade, na base de Amizade.
A resistência de mwêne Ñjîng’a Mbândi é uma herança histórica rara e ímpar em África. Esta resistência terá sido possível por quatro razões: (i) respeito pelas instituições; (ii) determinação as suas crenças e ideais; (iii) defesa das terras dos seus ancestrais; (iv) consciência da parceria ou cooperação com ademais para garantir a independência política, económica e cultural. Que lição tiramos hoje?
Interessa-me inspirar-se da mwêne Ñjînga Rainha de Angola para lançar algumas reflexões sobre a cooperação Angola-Portugal. Como o meu leitor deve saber não sou especialista em Relações Internacionais, mas historiador.
Quando Paulo de Novais criou a cidade de Luanda, as orientações da coroa portuguesa era de submeter as populações desta região às leis portuguesas (católicas). Ora, no país de mwêne Ñjînga, as “leis estão ligadas com as suas terras”, e todo cidadão desta região (inclusive as terras setentrionais e meridionais a Ndôngo/Matâmba) respeitava as instituições (sempre ligadas as suas terras). Logo, os propósitos da coroa portuguesa deveriam ter uma resposta. Mwêne Ñjînga Rainha de Angola antropomorfiza esta resposta.
Luanda foi criada, também, como “local do poder religioso”. As sociedades angolanas do século XVI (mesmo até os nossos dias) dificilmente separam “o religioso” da vida. Quer na doença (subjectivo) quer na economia (objectiva); quer na conquista do saber científico (subjecto) quer na vida política (objectivo), não se separa o suporte religioso. Mwêne Ñjînga Mbândi aceitou a “fé católica” não para salvar a sua vida (depois da morte, como se diz entre os cristãos), mas sim para uma questão de princípio na cooperação com os Portugueses. Por isto, continuou a respeitar a religião mbûndu. Isto tinha dois sentidos: (i) exprimir a sua insubordinação perante Portugal, senão a mera cooperação; (ii) garantir o apoio da população e dos seus ancestrais que ninguém atreveria trair.
Defesa das terras dos seus ancestrais. A terra tem uma significação importante na cosmogonia angolana (côkwe, kôngo, mbûndu, umbûndu). Existe um tronco proto-bantu: “xi”. Este termo tem três sentidos: (i) chão: que junta os vivos dos mortos; (ii) espaço regido consoante as normas dos defuntos; (iii) o mundo que explica a nossa existência (como pertencente ou como não-pertencente). Na base destes três pontos, era praticamente impossível mwêne Ñjînga, assim como os seus antecessores, deixar que as suas terras (chão, espaço, mundo) fossem territorializadas. Criar, na mente deles, uma autêntica desordem, ruptura e desequilíbrio.
Cooperação. Havia em mwêne Ñjînga – isto não é mito – uma capacidade enorme da diplomacia: (i) era uma pessoa aberta e expressava claramente as suas ideias: pelo menos as escritas esclarecem, ainda que fosse outra pessoa a escrever por ela; (ii) tinha consciência sobre os “capitais da negociação: ela foi clara, em Luanda, em dizer que os espaços ocupados pelos Portugueses pertenciam aos seus ancestrais; e negociou na base de igualdade (e não de inferioridade). Na mesma senda, ela soube negociar com soberanos angolanos, quer com Jaga Kasanzi, quer com o rei do Kôngo… na colusão de resistir contra os Portugueses na defesa das terras dos seus ancestrais.
Na base de tudo isto, a minha opinião é simples: que Angola classifica “mwêne Ñjîng’a Mbândi Património Nacional”, para depois visar o património da Humanidade. Devemos se ensinar aos nossos filhos – de forma clara e estratégica – que a figura desta “mwêne/soberana” é para imitar, para proteger a nossa terra (Angola) e defendê-la a todo custo (pátria). Devemos ensinar as nossas crianças – desde tenra idade, no Jardim Infantil – que “mwêne Ñjînga Rainha de Angola” valorizou a cooperação (e nunca a submissão) com ademais pessoas, mas com os interesses bem definidos para as partes.
Portugal não é um qualquer país para cooperação. Numa entrevista eu dizia que existe um Portugal em Angola, como uma Angola em Portugal”: somos condenados a manter as nossas relações de cooperação entre Estados, e dificilmente evitaremos. É como dois irmãos que não queiram ser irmãos. Deve se tratar de uma cooperação – a nível de Estado – carimbada de cumplicidade e de confiança. E seria desperdiço virarmo-nos as costas. Os Côkwe dizem: “as pessoas não podem virar-se as costas”.
Na minha sala de aula, confrontei-me com os meus estudantes ao defender a necessidade da prestação qualificada dos portugueses em Angola. Para eles, finalistas em História, a via do neocolonialismo estava oficialmente aberta de maneira o seu desemprego (depois da formação) estava garantido. Expliquei a eles, como explico agora ao meu leitor anonimo, que Angola precisa de Portugal em vários domínios: (i) educação, talvez por causa da língua, apesar de poucas universidades portugueses constar no ranking europeu em 2012; (ii) cultura, pois o angolano (como o português) é um mestiço cultural em vários aspectos (mesmo para os kimbo angolanos mais distantes da portugalidade: língua portuguesa, por exemplo); (iii) comunicação social; (iv) política; (v) etc. Na mesma moeda, Portugal precisa de Angola em vários domínios: (i) política; (ii) cooperação a nível da CPLP; (iii) finanças; (iv) cultura…

A figura de “mwêne Ñjînga Rainha de Angola” – espero que seja classificada a nível nacional como Património – pode inspirar-nos perspetivar as futuras cooperações entre Angola e Portugal, e não só. Perante a arrogância americana, por exemplo, Angola diz basta! E os militares angolanos – exemplo a seguir – selaram a Paz. Ainda assim, Estados Unidos da América têm muito a trocar – na base de igualdade e longe das imposições – com Angola. Este é o espírito que mwêne Ñjînga nos legou… e o filme lançado recentemente – apesar de algumas críticas a nível estético que tenho – parece-me ter alcançado esta meta. Mas será mais produtivo caso o Governo angolano (falo do Ministério da Cultura) classificasse a soberana como património nacional.
Mwêne Ñjînga Rainha de Angola percebeu, também, que os militares eram garantes da integridade territorial. Ela fazia questão de cuidar bem deles, garantir a integridade física deles e, sobretudo, ouvir atentamente os seus kibênga/tândala (chefes militares)… nas suas estratégias.
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10/11/2013

A CONDIÇÃO FEMININA


 


A problemática da mulher “objecto” não se circunscreve a um dado país, ou grupo e remonta aos primórdios da humanidade. Observe-se a composição/organização de todos  os seres que marcam a nossa história (global como seres humanos) e nas mais diferenciadas áreas e reparamos logo na abissal diferença ( em número) entre homens e mulheres.

 A vertente teológica desde sempre: as duas grandes religiões que condensaram as suas “verdades” na Biblia e Alcorão são escritas por homens e muito “naturalmente” os protagonistas são sempre masculinos e o papel da mulher quando não insultado é no mínimo secundarizado ( procriação e obediência) e culpabilizada de um hipotético pecado original. Esta epistemologia só pode “dar” mesmo a “mulher objecto”.Mesmo se considerarmos as outras nuances religiosas reparamos que os Criadores são sempre masculinos e os próprios oradores/chefes pertencem em grande número ao mesmo género. Se a primazia do masculino advém da particularidade de ser o homen que possui o sémen da vida, porque é que no fenómeno do aborto, cabe à mulher o  protagonismo do mesmo ( é nela e no seu corpo que se consuma o acto)? É geneticamente possível o aborto ou prevenção ser exercido no corpo do homem

Vertente política: Seja na organização tribal ou nos modelos organizacionais ditos civilizados ( leia-se o papel que os filósofos helénicos atribuíam à mulher) coube e continua a caber a uma larguíssima maioria masculina o protagonismo. Mesmo que apareçam, alguma Joana de Arc ou Rainha Nzinga ou Isabel Peron aí intercaladas neste processo, fácil será reconhecer ,quanto mais não seja pelo número reduzido, como mais uma permissão masculina ( dos quais e por estranho que pareça serem eles os maiores defensores) para justificar a igualdade dos géneros. Os argumentos de defesa da supremacia do homem sobre a mulher, baseados em termos físicos ( mais força, mais velocidade)não são válidos, porque a questão que levanto tem a haver com a Alma, A Ideia, A imaginação, enfim as coisas do Espírito.

Com estes políticos e teológicos “background’s” não é muito difícil chegar á interiorização da superioridade de um género sobre o outro.

O atrás exposto é um”zipado”  retórico pelos motivos óbvios de espaço e do contexto de uma rede social. Serve no entanto para a justificação e agora concretamente em relação à sociedade angolana para dizer que não devemos balizar os motivos justificativos do comportamento da mulher angolana circunscritos só a uma causa. Convém não esquecer que a causa encontrada como justificação e por estar mais próxima, no tempo, não se torna mais válida ou verdadeira nem a mais forte. Gostamos de simplificar e tendencialmente agarramos quase sempre a última causa ou as imediatamente anteriores, por isso é que no sistema judicial condena-se sempre o réu e não temos paciência/vontade para recuarmos ao somatório das várias causas que resultaram no aparecimento do réu.

Nos concretos actuais duas perguntas:

Há dias quando o General Bento Kamgamba subsidiou em milhares de dólares a Miss Luanda a quem devemos assacar as culpas ( se é que existem)? À Miss que recebeu ou ao General que deu?

Na vertente social que consubstancia o facto de um homem ter mais do que uma mulher a quem assacar a responsabilidade a elas ou a eles?. No espaço e no tempo aonde teve isto início?

Nota: A intenção do nomeamento de personalidades, não tem como mote a análise do comportamento das pessoas mas sim considerá-los só como  actores sociais.

A constatação de algumas sociedades matriarcais  que existam hoje em dia ou que já existiram, não tem expressão atendendo ao seu reduzido número.