19/05/2011

Património em perigo.Dia Mundial dos Museus –18-05-2011



Munípio do Sumbe.Saber Andar é um aglomerado habitacional a poucos kms da cidade do Sumbe. Nele podem-se encontrar alguns artefactos de alto valor patrimonial abandonados pelo chão.
A primeira missão de um Museu, como instituição depositária do Património Cultural é a sua defesa contra os estragos do Tempo e do Ser Humano, recolhendo, documentando, conservando e investigando para que ao se expor, se divulgue e ensine o legado cultural deixado pelos antigos às gerações actuais e vindouras. Trata se aqui de preservar a memória colectiva de um povo que se manifesta simbolicamente e visivelmente nos testemunhos, de qualquer suposta grandeza ( distintos ou modestos) dos grupos que os criaram.

Por sermos herdeiros do passado é-nos exigido o Dever de Memória não só dos actos culturais intrínsecos mas também dos testemunhos produzidos que os antecessores deixaram, e que contribuíram lentamente para a formação da identidade cultural comum.

Sabemos e vemos hoje claramente que os paliativos paradisíacos do fenómeno Globalização transportam também grandes cargas de alienação cultural e o perigo reside justamente nesta perca de identidade que cria sobretudo dependências económicas. Agrava-se o perigo quando aqueles interesses económicos se situam fora da nossa real ocupação territorial, ao importar modelos culturais produtivos baseados em matéria prima que não se encontra ao nosso dispor.

A luta pela sobrevivência foi , é, e será sempre apanágio dos animais e o ser humano não foge à regra. A manipulação das matérias primas ao nosso redor foram sempre avaliadas e exploradas para resolver os problemas quotidianos relacionados com a comunidade desde os primórdios, quando começámos a polir a pedra, a fabricar cerâmica, passando pela técnica da tecelagem com fibras animais e vegetais. Releve-se o papel do artesão que historicamente responde por todo o processo de transformação.

Práticas e técnicas relacionadas com a produção dos objectos, assim como os costumes usados com a utilização dos mesmos, criam campos de diferenciação das comunidades, originando características exclusivas e identidades culturais, constituindo-se como pontos referenciais, assim como, matéria museológica.

O desenvolvimento de qualquer grupo não é somente reconhecido pelo seu desenvolvimento tecnológico e científico. Mas sobretudo pelo desenvolvimento da sua cultura a nível das artes –visuais, música, teatro, dança, literatura, arquitectura e gastronomia-.

Despertar as consciências para a preservação da riqueza patrimonial é uma tarefa de todos ( governativas e particulares).

A criação da intenção e execução de espaços museológicos no Sumbe e por extensão na Província do Kwanza Sul é uma tarefa que urge pôr em andamento, sem demagogias e imbuídos do espírito da sustentabilidade. O tempo é inexorável e as fontes de oralidade que vão se extinguindo, assim como os testemunhos que por desconhecimento se encontram abandonados degradando-se ,podem-nos colocar na perda irreversível do nosso património.


Duas respostas encontradas com a matéria prima extraída do local. Curral de cabras e uma poedeira área para galinhas.










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