31/01/2009

ULUME ( Afroasiático)

Norte de África

A amarelo a divisória do Sahel

As línguas afro-asiáticas ou hamito-semíticas. são uma família de línguas de cerca de 240 línguas e 285 milhões de falantes, espalhados pelo norte e leste da África, a região do Sahel e o sudoeste da Ásia. Outros nomes por vezes dados a essa família incluem "afrasiática", "lisrâmica" (Hodge 1972) e "eritréia" (Tucker 1966).
As seguintes subfamílias lingüísticas estão incluídas: Línguas bérberes , tchádicas ou do Tchade , egípcias , semíticas , cuchíticas ,beja (classificação controversa; geralmente classificada como parte do grupo cushítico) omóticas.
A língua ongota é considerada como afroasiática, mas sua classificação dentro da família continua controvertida, em parte por falta de dados mais concretos.


A África do norte é marcada pelo predomínio da religião Islâmica que chegou ao norte do continente durante o processo de expansão do islamismo, com o objetivo de difundir a fé muçulmana.
A miscigenação com africanos de raça negra teve origem nas migrações para norte provocadas pela escravatura dos grandes Impérios da Antigüidade e pelo Império Islamico, grande conversor e escravizador de populações negróides pré-islamicas.

O Norte de África encerra numerosos tesouros culturais, considerados património mundial.
Importantes florestas tropicais, que desempenham um papel fundamental nas migrações das aves e que servem de abrigo durante o Inverno. O Parque Nacional de Ichkeul na Tunísia, o Parque Nacional do Banco de Arguin na Mauritânia e o Parque Nacional das aves Djoudj no delta do rio Senegal, cuja maior singularidade consiste na co-habitação de cerca de um milhão e meio de aves aquáticas, com animais subdesérticos como os grandes varanos ou gazelas.[1]
O Parque Nacional do Banco de Arguin, localiza-se na costa atlãntica da Mauritânia, ao sul do Cabo Blanc, entre os 19º 21’ e os 21º 51’ de latitude e 16º e 16º 45’ longitude oeste e tem uma área de 1.200.000 ha.

Carta do Parque Nacional de Arguin

­­­­­­­­­­­­­­­­­­­---------- Limites do Parque
--------- Pistas principais


O parque possui três formações bem diferenciadas:
O sector terrestre.
O sector costeiro - que inclui um bom número de ilhas.
O sector marinho – águas litorais pouco profundas, raramente mais de 5 metros e uma elevada produtividade biológica.
O sector terrestre é formado por um árido deserto de areias terciárias e quartenárias, com precipitação médial anual de 34 a 40 mm e os ventos são fortes podendo atingir 28 km/h. A vegetação é dominada por espécies variadas com certa influência mediterrânica.
Destaque-se a Acácia (Acácia tortilis), a espécie Balanites agypticaca de frutos comestíveis e sementes oleaginosas, a Euforbia balsâmica e o Esparto ( Leptadenia spartum).
Na fauna, tem um protagonista de excepção, a Gazela (Gazella dorcas). Esta espécie, antigamente abundante ( em grande parte no Saara Ocidental), foi levada quase á extinção na 2ª. Metade do século XX.

Gazela Dorcas

Parque de Arguin

Dentro dos carnívoros, os areais do parque, registam a presença do Feneco ( Fennecus zerda), pequeno canídeo de enormes orelhas, o Gato-Silvestre-Africano ( Felis Lybica) e o Gato-do-General-Margarita ( F. Margarita) assim como a visita ocasional da Hiena –parda ( Hyaena Hyaena).

Duas grandes transformações ocorridas na metade norte do continente africano tiveram um impacto na mudança e distribuição demográfica, uma climática e outra cultural. Por volta de 2000 a.C. o Saara transformou-se no grande deserto que é hoje. Este processo de transformação está balizado entre 8000 e 2000 a. C. e inicialmente possuía um clima muito mais húmido, terra própria para pastagens, com caça abundante, enquanto nos planaltos crescia uma floresta mediterrânica.[2]
A outra grande mudança consistiu na difusão de toda uma série de inovações iniciando uma série de progressos tecnológicos. Os utensílios aperfeiçoados, a cestaria e a cerâmica (transporte e armazenamento), a construção de cabanas mais ou menos definitivas e sobretudo a domesticação dos animais ( para alimento e força de trabalho) e as sementes e raízes podiam não só ser apanhadas como também cultivadas e melhoradas. Em primeira análise ressalta que os grupos criavam condições para se tornarem maiores e mais estáveis ( sedentarização).
Para dar algumas certezas a Arqueologia revelou que as regiões adjacentes da Europa e Próximo Oriente afinal não eram muito mais evoluídas , o que deita por terra as teorias etnocentristas de alguns historiadores que atribuíam como “ berço da civilização” o Próximo Oriente (Crescente Fértil).
Os povos do Saara antes de se transformar em deserto, trabalhavam o barro há tanto tempo como os povos do Próximo Oriente, assim como a pastorícia.
Mas afinal aquela ideia de que a agricultura tinha transformado o nómada (recolector-caçador) em sedentário e de que este seria um estágio mais evoluído, foi posta em causa pelas evidências arqueológicas ao mostrar que estes caçadores recolectores tinham afinal alcançado já antes os avanços tecnológicos que se atribuíam única e exclusivamente ao grupo sedentário. Ponto comum numa e noutra forma de organização será o de que, e em função da dieta alimentar que uns e outros foram observando, a variedade e a riqueza daquela determinava grupos mais fortes no sentido estrito da genética, da reprodução e sobrevivência.

A existência ou não de fontes de água é tido como dos factores mais importantes e determinante no desenrolar das acções humanas.
O rio Nilo é um grande rio do nordeste do continente africano que nasce a sul da linha do Equador e desagua no Mar Mediterrâneo. A sua bacia hidrográfica ocupa uma área de 3 349 000 km² abrangendo o Uganda, Tanzânia, Ruanda, Quénia, República Democrática do Congo, Burundi, Sudão, Etiópia e Egipto. A partir da sua fonte mais remota, no Burundi, o Nilo apresenta um comprimento de 6 627,15 km.

Trajectos do Rio Nilo

É formado pela confluência de três outros rios, o Nilo Branco (Bahr-el-Abiad), o Nilo Azul (Bahr-el-Azrak) e o rio Atbara. O Nilo Azul (Bahr-el-Azrak) nasce no Lago Tana (Etiópia), confluindo com o Nilo Branco em Cartum, capital do Sudão.
Ao contrário dos outros rios, que com o solistício de verão, diminuem, o Nilo a partir dessa época começa a crescer até inundar quase todo o Egipto.
O fecundo lodo que as cheias anuais depositam nas quártizcas areias transformam o vale do Nilo. Sem ele seria um “ vale da morte.
As aluviões seculares depositaram uma camada que, com um mínimo de dez metros, se eleva em alguns pontos do delta a trinta metros; uma massa escura, quase denegrida. “ A terra negra”, Kemet, foi um dos primeiros nomes que os antigos egípcios deram ao próprio país; Egipto derivação de Het-kapt, “ morada do Ka de Ptaah” refere-se originariamente a Mênfis.[3]

Há mais de cinco mil anos o Nilo vem proporcionando riquezas para as sucessivas civilizações e culturas que floresceram as suas margens. O limo transportado pelas águas e o controle de sua vazão, por meio de barragens, assegura a irrigação permanente das planícies por ele banhadas, que chegam a produzir três colheitas por ano: no inverno, trigo, cevada, cebola e linho; no outono, arroz e milho; no verão, algodão, arroz, cana-de-açúcar e oleaginosas.
Rio Nilo

É evidente que do ponto de vista cultural que, desde 35.000 anos antes da nossa era, o ser humano desenvolveu várias tecnologias especificamente relacionadas com as condições climáticas e geográficas existentes. Nunca será demais lembrá-lo, para que as justificações nem sejam “divinas” nem ficcionadas.
Sabe-se que os ossos do ser humano não se conservam na terra tanto tempo como os artefactos que ele próprio produz. Isto é particularmente verdadeiro na África tropical, onde os graus de humidade e acidez dos solos são elevados. Por outro lado os artefactos produzidos pelo ser humano ao longo do seu percurso e de um modo geral todo e qualquer elemento cultural, sofrem mutações e acontece que o que mais amplamente se expande não será necessariamente o que deu início ao processo.
Junte-se a isto que entre todos estes povos houve cruzamentos, originando múltiplos graus de mestiçagem , relacione-se aqui o termo mestiçagem com o hibridismo que é o cruzamento de indivíduos de Gêneros diferentes, e o produto deste cruzamento recebe o nome de Híbrido. Quando os produtos destes cruzamentos apresentam comportamento reprodutivo semelhante aos das espécies que lhes deram origem e apresentam-se férteis, convencionamos chamá-los de Mestiços.
A hibridação não se constitui um fato novo, nem mesmo uma descoberta de laboratório ou algo parecido, ela ocorre na natureza e constitui um fenómeno espontâneo.
Não temos também garantias de que estes povos tivessem sempre vivido com rigorosas fronteiras geográficas. O campo de interacções que a abertura geográfica disponibiliza é substancialmente mais diferenciado.
Considerando que não existem provas em contrário, pensa-se que não existe nenhuma relação directa entre o tronco étnico e o tronco linguístico, pelo que é deveras importante não confundir a raça com a língua e com a cultura.
Os linguistas modernos ,( o que quer, que isso signifique) pensam ,que pouco ou nada distingue o grupo de línguas hamíticas de África do grupo de línguas semíticas da Arábia e do Próximo Oriente, o arábico e o amarico a língua dominante dos planaltos etíopes, consequência de muitos séculos de aculturação e de fixação de povos de línguas semíticas, tornaram-se para todos os efeitos africanas. Daí que as chamadas línguas hamíticas africanas e as chamadas semíticas existentes no Próximo Oriente e em África se chamem AfroAsiáticas.

Zepelins Italianos

Bombardeamento de posições turcas em terrítório líbio durante a Guerra ítalo-turca (1911-1912).


Greenberg, Joseph H., Linguistics, anthropological theory, cultural anthropology; Africa.
http://pt.wikipedia.org/wiki/L%C3%ADbia
[1] AAVV, Património da Humanidade- África do Norte e Ocidental, Tomo III, Placresa, 1997
[2] FAGE, J. D., História da África, Lisboa, Edições 70, 1997.
[3] RACHEWILTZ, Boris de, A Vida no Antigo Egipto, Círculo de Leitores, 1958.

1 comentário:

Isabela disse...

Mentiria se dissesse que li isto tudo. Mas a música é fabulosa. abraço.