10/07/2007

Millôr 3

Definitivo, meio a meio
Este livro foi publicado há aproximadamente 10 anos. O título era sacanamente ambíguo. Como me é próprio. Definitivo de definição, e definitivo tipo: "Pronto, o Millôr falou, tá falado".
O livro vendeu, metade por uma coisa, metade pela outra, metade não sei por quê. Três metades. Que outro livro vendeu tanto?
Agora a LPM, sem alterar o conteúdo, acrescenta algumas frases, muda o desenho da capa, e assim iniciamos mais uma década. O tempo marcha. E muitos até insistem que voa.
Mais de cinco mil frases? Como se faz isso? Pensando o tempo todo em fazer frases? Não senhores, tenho mais o que fazer. Por exemplo, hai-kais, fábulas, sacanagens gráficas, desenhos de meu nome (tenho um nome a zelar) e o que mais.
São décadas (não digo quantas) disso. Mais de 400 hai-kais (te cuida, Bashô!), mais de 300 fábulas (roda na campa, La Fontaine!), mas, ressalto, nenhuma delas com moral convencional. Já que a moral convencional defende, como lhe é próprio, as convenções. Não estou nem aí.
Que pretendo dizer? Sei lá. Só peço que não me olhem como um pensador, ou pior, como um erudito. Sou um existencial. Sem ser um existencialista.
Mas não pensem em mim para badalações, neuroses coletivas, falações cultas para multidões boquiabertas. Pensem em mim para o/s prazer/es calmo/s da vida.Mas também pro que der e vier. Sobretudo o contrário.
Millôr
Minha homenagem a um dos Grandes utilizadores da Lingua Portuguesa,
fica aqui registada.
Kimang

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