05/02/2007

REGRESSO A CASA

“Instalaram-se em Áfrika 800 empresas chinesas e as trocas China-Àfrika atingiram 40000 milhões de dólares em 2005”.

Durante o tempo em que Jonas Savimbi e a Unita combateram em Angola, primeiro contra os portugueses e depois contra o MPLA, a China teve um papel importante no apoio que lhe concedeu.

Hu Jintao foi ao Sudão, o maior país de Áfrika; mas não foi lá por causa do tamanho, ou pelas chacinas dos refugiados, mas sim porque o Sudão é fornecedor de petróleo da China.

Os mesmos chineses que ajudaram a Unita, ajudam os combatidos, o Governo de Angola. Povo magnânimo esses chineses, exemplo digno do fazer bem sem olhar a quém.
Confesso, e, perante tanta informação comecei ficando preocupado e cogitei:
- Se o ouro é amarelo e a raça é amarela, porque esse desvio de quererem o “ouro negro”?
- Se a lição da espiritualidade vem dos confúncios orientais,porquê esse apetite por coisas terrenas?
Preocupado sim, e não por razões xeno ou racistas, mas, também casa onde não há pão todos ralham e ninguém tem razão. Como não vislumbro a razão continuo supondo que também não há pão.


Adiante, coisa maravilhosa esta: a era da informação. Que nos enaltece agora, para nos apaziguar logo de seguida... é só um click.
Antropológicamente clicada surge-me esta científica aparição:
Àfrika é o local onde há sete milhões de anos as linhas evolucionárias dos primatas e dos pré-hominideos divergiram. Foi o único continente que os nossos antepassados habitaram até há cerca de dois milhões de anos, quando o Homo erectus se expandiu de Áfrika para a Europa e para a Ásia. No milhão e meio de anos que se seguiram, a população desses três continentes realizou percursos evolucionários tão distintos que daí resultaram espécies diferentes. Os da Europa tornaram-se os Neandertal, os da Ásia continuaram Homo erectus, mas os de Áfrika evoluíram na nossa espécie,HomoSapiens.Entretanto, entre 100 e 50 mil anos atrás, os nossos antepassados afrikanos sofreram uma mudança ainda mais profunda. Não temos a certeza se terá sido o desenvolvimento do discurso complexo ou outra qualquer faceta, como uma alteração do funcionamento neurológico.Fosse o que fosse, ela transformou os primeiros Homo Sapiens naquilo a que os paleoantropólogos chamam o " comportamentalmente moderno" homo sapiens. Esses indivíduos, provavelmente com o cérebro semelhante ao nosso, voltaram a expandir-se para a Europa e para a Ásia. Uma vez lá chegados, exterminaram, substituíram e misturaram-se com Neandertais e hominideos asiáticos, tornando-se a espécie humana dominante em todo o mundo.

Prova ,aprovada ,os directos dos Homo Erectus são os Asiáticos. Agora compreendo finalmente o uso do Viagra dos " comportamentalmente modernos " Homo Sapiens".
Como olho de Chinês ( por ser obliquo, os horizontes esticam-se) vê mais longe e vasto, necessário será cumprir os destinos da história humana, pondo os olhos em bico aos Afrikanos, regressam assim ao habitat primário, eles os Chineses, Homo Erectus, agora também " comportamentalmente modernos ". Estão simplesmente a regressar ao seu Continente de origem. Regresso à “terra mâe”, é legítimo e tem muita força. Isso sim a força da sua vinda, e não esses simples desejos dos petróleos, da riqueza ,do poder.

Assim alma e consciência esclarecida, esqueço esses invejosos boatos que são os desígnios dos “não esclarecidos”, e agora sim, acredito, que os “irmãos” todos unidos, “venceremos”.
Uma pequenina dúvida aflora leve em mim: será que o “efeito estufa”, camadas de ozono esburaqueando, não deixarão cumprir tais finalidades?

2 comentários:

Koluki disse...

... Nao sei se a sua intencao foi essa, mas nao consigo parar de me rir com tanto, bem colocado, sarcasmo...

Denudado disse...

(...)o Sudão é o maior fornecedor de petróleo da China. (...)

Peço desculpa por contestar esta afirmação, mas aquilo que tenho lido é que o maior fornecedor de petróleo à China é mesmo... Angola. E que o maior cliente do petróleo sudanês é, se não me engano, a Índia e não a China.

Ainda a propósito do tema deste post, recomendo uma leitura desta crónica, que se refere a Moçambique, mas que pode ser facilmente extrapolada.

Um abraço