07/01/2007

MEDO DE VIVER


A este mundo caseiro não falta no entanto sedução para quem deseje deixar-se viver, ser levado como uma barca por um rio abaixo, delegar nas datas do calendário, á passagem das estações, o cuidado de nos dirigir.

Fruição sedativa desta rotina: com ela tudo é evidente, reveste de necessidade o que á primeira vista era gratuito. Nela funciona-se em regime quase automático.

A agonia que a alguns provocam os domingos ou as férias- esse grande vazio que é necessário preencher- nasce dessa ruptura mommentânea de uma regra que enfada mais que tranquiliza. Para a maioria, portanto, a maldição do quotidiano é de nos acompanhar 24 sobre 24 horas quando gostaríamos de o desmontar a nosso bel-prazer, de lhe debicar algumas migalhas, enfim, de o colocar numa posição crítica.

" Oh vida, amo-te mas não todos os dias" (Cerroli)

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