08/01/2007

HOMENAGEM A AMÉRICO BOAVIDA




Hoje deu-me assim uma tristeza, não aquela tristeza do "coitadinho" do "sem esperança" mas sim aquela tristeza dos vitoriosos e optimistas; aquela tristeza que nos lembra a realidade da vida, aquela que simplesmente é ela propria principio de alegria.


A lembrança de Américo Alberto de Barros de Assis Boavida que escreveu no seu livro "ANGOLA CINCO SÉCULOS DE EXPLORAÇÃO PORTUGUESA" no exílio em Marrocos em 1966 o seguinte:" A defesa dos verdadeiros interesses da maioria esmagadora do país impôe que se denunciem as cláusulas e o espírito dos acordos firmados com os monopólios e os governos que exploram o povo angolano e as riquezas do seu território.Com interlocutores directos junto desses monopólios e desses governos, sobre esses representantes recai a responsabilidade da defesa de liberdade e do progresso das populações oprimidas e exploradas em Angola, e do direito à participação nos lucros e benefícios das riquezas do seu país".


Pois é Imão Américo Boavida foste um visionário ( sempre foste um vanguardista) pois o teu discurso continua completamente actual , hoje, em 2007.


Américo Alberto de Barros de Assis Boavida nasceu em Luanda a 20 de Novembro de 1923. Fez os estudos primários e secundários na sua terra natal e conclui o curso de Medicina na Universidade do Porto, em 1952. realizou ainda estudos complementares de Medicina Tropical e Saúde Publica em Lisboa e obteve a especialização em ginecologia e obstetricia Universidade de Barcelona, mais tarde completada com um estágio na Checoslováquia. Regressou a Angola em 1956 e exerceu a medicina em consultórios privados. Em 1960, no auge da intensificação da repressão colonial portuguesa, refugiou-se na Guiné-Conakry, primeiro, e depois na Répública do Congo-Leopoldville, ingressando nas fileiras nacionalistas do MPLA. Foi o primeiro presidente do Corpo Voluntário Angolano de Assistência aos Refugiados.


Em 1963, numa conjuntura internacional particularmente difícil para o MPLA, teve de se exilar em Marrocos.A partir de 1966 Américo Boavida, não obstante a sua saúde precária ( tuberculose contraída quando era estudante), integrou-se plenamente nas forças do MPLA que levavam a cabo a luta armada em território angolano.A sua actividade como militante foi notável, intervindo nas reuniões com acerto, limando as arestas, mas colocando-se sempre no grupo de vanguarda do combate contra o imperialismo, colonialismo, tribalismo ou racismo.Faleceu a 25 de Setembro de 1968, durante um ataque da aviação colonial portuguesa a uma das bases do MPLA junto ao rio Lwet.


Até sempre meu Irmão.

3 comentários:

Anónimo disse...

Mário de Andrade
14 Rue de Monastir Rabat, le 2 janvier 65
Rabat




Meu caro Hugo,

Embora tardiamente ,Sarah e eu próprio formulamos os melhores votos para 1965, à família Menezes … “ sita em Accra”.

Enviamos um telegrama (assinado pelo secretariado da CONCP) a saber exactamente quando pensavas fazer sair o primeiro número do jornal.
Evidentemente, preparei algumas notas sobre a nova literatura e a revolução nas colónias portuguesas. Alem disso, penso que seria extremamente importante que o jornal fizesse eco regular das publicações da CONCP. Informo - te, a este respeito, que , em principio, terá lugar (passe o galicismo em Rabat, no fim desta semana a primeira reunião do comité preparatório da 2ª conferência das organizações - membros. Claro que mandarei o comunicado final.
Como vão as démarches para o lançamento do jornal Faulha? Queres informar o DAMZ que “ Etincelle” chega-nos aqui via… marítima?

Gostaria de obter a referência do livro sobre as relações económicas com Portugal, de que me falaste. Poderei continuar a expedir outros livros de que necessites para os teus estudos.
Diz algo, brevemente. Abraços do


Mário (Mario Pinto de Andrade)

Anónimo disse...

CORPO VOLUNTÁRIO ANGOLANO DE ASSISTÊNCIA AOS REFUGIADOS
(C.V.A.A.R.)

B.P.856, LÉOPOLDVILLE

5 de Outubro de 1962


Dr. Hugo de Menezes
Bureau of African Affairs
P. O. BOX M24

ACCRA

GHANA


Caro compatriota,
Estamos a enviar-lhe cópia da resposta à carta em que nos pediam um endeeço em Ghana para onde mandar medicamentos para os refugiados angolanos. Esperamos que não seja muito difícil remeter depois o estoque para LÉO.

Pelo despacho nº 5781 de 2 de Outubro do primeiro Burgomestre de Léopoldville, o C.V.A.A.R tem já autorização oficial a partir de 10 de Setembro de 1962. Junto enviamos-lhe a credencial para actuar aí na medida do possível.
Continua a aumentar o número de refugiados e há uma falta enorme de medicamentos tanto nos dez postos actuais (LUALI, MOANDA- BANANA, BOMA, MATADI, SONGOLOLO, MOERBEKE, LUKALA, KINDOPOLO, KIMPANGU e MALELE) como no dispensário central. A segunda turma do curso de enfermagem começa no dia 8 deste com 42 alunos insoritos. Há quase mil crianças e adultos a frequentar já e inscritos nas campanhas de escolarização e alfabetização lançadas pelo C.V.A.A.R. Precisamos de dinheiro para transportar os medicamentos, etc., à fronteira, manter os enfermeiros e alunos, livros, etc.
Para qualquer coisa que precisar daqui, eis -nos ao seu dispor .
Cordialmente,
Deolinda Almeida

Anónimo disse...

PARIS, 12 DE NOVEMBRO DE 1960


Meu caro Hugo:


Ciente de tudo quanto me diz na sua carta de 5 do corrente quanto as demarches do meu processo, e agradeço-lhe de todo o coração toda a sua insistência junto dos ministérios.

Serve esta para lhe informar que recebi a visita do Snr. Adrean no dia 10 por volta do meio dia . Fez -me entrega da quantia de 66.000frs(Sessenta e seis mil). Teve a amabilidade de me dizer que vinha fazer um estágio num dos hospitais daqui e me procuraria dentro de alguns dias pois seguia agora para fora de Paris.
Hoje às 10 horas recebi igualmente a visita do Snr. Jonhson rente , e 60 dollars USA , e de 3.200 Frs. Franceses; e outra P/ o .

Trata-se igualmente igualmente de uma pessoa amável com quem tive o gosto de trocar algumas impressões.
Até este momento que lhe escrevo ( 11horas ) seu irmão ainda não chegou a Paris.
No dia 8 e 9 o nosso amigo M….,foi a Gare de Austerlitz esperar o comboio daquelas paragens a despeito de não ter recebido qualquer informação de Lisboa.
Esta tudo a postos para o recebermos e ajudar no que for preciso.

Despacharei por barco como me pede a mala que ele for portador.

Creio ser tudo por agora. Ficamos todos O.K. e com a crescente esperança de o abraçarmos em breve.

Do colega e amigo e grato


Américo Boavida